terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Hoje o texto não é meu


"...cruzei o olhar com o dele, que me observava não sei há quanto tempo e
era leve e meigo. Eu olhava para ele e ele para mim em intervalos de tempo bastante
breves, desviávamos os olhos sem conseguir evitar que caíssem de novo um no outro.
Seus olhos eram profundos e sinceros e dessa vez não me iludi criando fantasias
absurdas para me machucar e me punir, dessa vez eu acreditei de verdade, eu via os seus
olhos, eles estavam bem ali, me fitavam, e pareciam dizer que queriam me amar, que
queriam me conhecer de verdade. Pouco a pouco comecei a observá-lo melhor: estava
sentado de pernas cruzadas, um cigarro entre os dedos, lábios carnudos, nariz um pouco
pronunciado, mas interessante, e uns olhos de príncipe árabe. O que ele me oferecia era
meu, só meu. Não olhava para nenhuma outra, olhava para mim, e não como qualquer
homem costumava me olhar na rua, mas com sinceridade e honestidade."

Cem Escovadas Antes de Ir para a Cama

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